Muitos municípios brasileiros não têm autonomia financeira, o que influi diretamente em sua capacidade de investir em educação, saúde e melhoria da infraestrutura. Dessa forma, não conseguem desenvolver alternativas para dinamizar a própria economia de modo a contribuir para a melhoria de vida de seus moradores, ou mesmo para evitar o êxodo de sua população jovem. Na busca de alternativas, vários municípios têm encontrado no turismo gastronômico uma possível estratégia de desenvolvimento.

O turismo como gerador de riqueza

O turismo é uma das atividades econômicas que mais geram riquezas no mundo. Isso se deve, em boa parte, aos turistas que, com seus gastos diretos, geram um efeito multiplicador na economia, por meio de uma extensa cadeia produtiva, provocando impactos de diferentes magnitudes na sociedade. A amplitude desses impactos costuma ser mensurada em áreas nas quais o turismo tem influência, propiciando a melhoria das condições de infraestrutura e a geração de emprego e de renda, além de estimular o surgimento e a expansão de outras atividades.

Necessidades para impulsionar o turismo

Porém, a proposta de um desenvolvimento local que possa ter o turismo como impulsionador tem de levar em consideração a necessidade de equalizar uma série de aspectos: a preservação e a conservação ambiental, a identidade cultural, a geração de ocupações produtivas, o desenvolvimento participativo e a qualidade de vida.

O desenvolvimento local é aquele realizado em pequenos lugares de forma participativa, levando a mudanças econômicas e sociais. Nessa forma de desenvolvimento, os agentes locais são os protagonistas, já que são os que melhor conhecem as particularidades da região onde vivem e que podem, quando devidamente capacitados, encontrar soluções viáveis e que atendam aos interesses de suas comunidades no sentido de explorar as vocações do lugar de uma maneira que os beneficie os atrativos, os aspectos positivos e as belezas naturais.

A busca de uma estratégia comum

No setor turístico, dada à intensa interdependência entre empresas, setor público e comunidade no processo de prestação de serviços ao turista, faz-se necessário o estabelecimento de uma rede de relações cooperativas e de uma estratégia comum, visto que a satisfação do turista depende do bom funcionamento de todos os setores. Nesse contexto, a gastronomia ganha cada vez mais importância como um produto turístico; os pratos típicos e os ingredientes locais constituem iguarias ligadas a um contexto histórico-cultural que permite ao turista uma aproximação com a comunidade visitada.

Dessa forma, a gastronomia se torna um fator fundamental no desenvolvimento de um roteiro turístico, seja ele local, seja ele de âmbito regional (circuito), sendo, por vezes, a motivação principal do turista, que tem interesse e curiosidade em conhecer e apreciar a culinária local, o que acaba favorecendo também o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva da região, principalmente o cultivo de alimentos orgânicos e a produção de preparações artesanais.

Assim, a gastronomia, a cultura, a história e a natureza são fatores que despertam no turista a vontade de visitar a comunidade e conhecer os seus atrativos. Isso exige a construção de uma infraestrutura logística, inclusive com centros de formação profissional que possam capacitar a mão de obra necessária para enfrentar os desafios da demanda.

 

 

Texto: Ricardo Antonio Gomes Barbosa

 

*Ricardo Antonio Gomes Barbosa é mestre em desenvolvimento, tecnologia e sociedade pela Universidade Federal de Itajubá e professor de graduação e pós-graduação em diversas disciplinas no Centro Universitário Senac em Campos do Jordão.

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