No dia 25 deste mês, o McDonald’s anunciou que irá comprar a startup israelense de Big Data Dynamic Yield numa das maiores transações realizadas pela franquia nos últimos 20 anos. O início dessa compra será dado com a implementação de Inteligência Artificial (IA) no atendimento de drive-thru dos Estados Unidos. Mas será que a gigante gastaria 300 milhões de dólares apenas fazer venda sugestiva automática para os seus clientes de maior pressa?

Cultura de dados

A obtenção de dados tem seu valor reconhecido há mais de 30 anos, desde que comerciantes norte-americanos começaram a anotar as vendas em livros para se obter relatórios de vendas. Os dados têm valor quando fornecem informações que dão segurança a decisões operacionais, táticas e, principalmente, estratégicas de qualquer empresa. Com o advento do avanço da tecnologia e da instrumentalização de dispositivos eletrônicos diversos, é possível coletar e interpolar milhões de dados a fim de se obter informações valiosas como condições climáticas e culturais que favorecem a venda do produto comercializado. Esse conceito está em alta e é denominado Big Data.

A tal Inteligência Artificial

Para vencer no mundo dos negócios, é preciso saber obter e como usar a informação como ferramenta estratégica de competitividade. A IA é, simplesmente, quando a inteligência tecnológica se aproxima da inteligência humana, como por exemplo uma câmera que possui recurso de reconhecimento facial. No caso do McDonald’s, uma das funções da IA está em compreender de forma automática a preferência de consumo do cliente, dependendo de condições climáticas, hábitos alimentares e diversas outras variáveis.

Como ganhar mais dinheiro com IA

A IA pode ser tão infinita quanto a nossa inteligência. O reconhecimento facial pode acompanhar tendências de consumo de forma comparativa. Por exemplo: ao observar que a maioria dos consumidores de McNuggets possuem mais de 60 anos e tomam suco, a IA vai relacionar isso e, ao reconhecer facialmente seu cliente que tem mais de 60 anos e pediu McNuggets, iria indicar ao atendente para  sugerir um copo de suco, e esta sugestão seria muito mais assertiva, aumentando as vendas e o tíquete médio.

No campo jurídico

A venda sugestiva mais óbvia é reconhecer o cliente, seja por reconhecimento facial na loja, de placa do veículo no Drive Thru ou por login pelo Facebook no aplicativo do celular, e oferecer seus favoritos. Mas nem todos gostam de saber que estão sendo “espionados”. Coloco entre aspas porque, como este assunto já rendeu muito processo judicial. Existe o compliance, exigindo que a empresa aja de acordo com as regras, principalmente com aqueles termos que ninguém lê para utilizar algum sistema eletrônico, e que protege ambas as partes da coleta de dados ao impedir a empresa de utilizar divulgar dados pessoais. É por isso que vazamentos de dados se tornam manchetes tão rápido.

Somente drive-thru?

O anúncio indicou que a implantação dessa tecnologia será no drive-thru, mas a IA é tão versátil que muitas empresas já utilizam essa ferramenta para realizar auditoria interna, como por exemplo, verificar inconsistências em documentos fiscais. Logo, pode ter certeza de que, se o McDonald’s utilizar a IA apenas para ‘vender mais’, será desperdício. É por isso que essas tecnologias estão tão em alta: pela versatilidade na capacidade de eficiência que ela pode trazer…

E no Brasil?

As novas tecnologias que estão sendo implementadas nos diversos mercados do varejo nacional e, inclusive, em algumas ferramentas já no food service brasileiro. Um exemplo já está ativo em alguns PDVs (software de frente de loja) e/ou ERPs (software de retaguarda) que, se bem utilizados, avisam o restaurante da possível falta de ingredientes e insumos, reduzindo as chances de falta. Outro exemplo no Brasil, como já publicado aqui  anteriormente, no início do ano, é o estudo de Big Data criado para gerar insights de negócios de forma inusitada e gratuita.

Texto: Lucas Sauaia
*Lucas Sauaia é engenheiro, marido, pai e faz parte da Relp! Aceleradora. Escreve sobre Inovação e Inteligência (BI) no mercado gastronômico.

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