Por um mundo sem desperdício – esse é o slogan utilizado pelo “Comida Invisível”, projeto criado por Daniela Leite e que busca diminuir o desperdício de alimentos em São Paulo.

Projeto que tive a oportunidade de conhecer durante a segunda edição do Food Forum que aconteceu no último dia 22 de março na Casa Fasano, tendo Daniela como um dos quatorze excelentes palestrantes.

O brilhante evento fundado e dirigido por Charles Piriou, profissional do universo de alimentos e bebidas e a quem admiro muito, foi eficaz no objetivo de nos abrir a mente para a real necessidade de mudarmos totalmente nossos hábitos de consumo.

Tendo como tema “Minimalismo”, todas as palestras foram extremamente esclarecedoras sobre a urgência de reflexão, retorno às origens e à simplicidade. E nos conectando a esse movimento que vem ganhando força em todo o mundo: “Valorizando o ‘ser’ em detrimento do ‘ter’ e o ‘repensar’ no lugar de ‘acumular’”.

O Food Forum veio mostrar o que parece óbvio depois de ouvido, mas que fica totalmente esquecido no “looping” do dia a dia. Estatísticas que assustam e que gritam para a urgência de mudança do nosso atual sistema de produção insustentável.

Pois atualmente, 800 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a alimentos suficientes para uma experiência ativa. E o mais triste é que não há falta de alimentos no mundo, mas sim insuficiência de compartilhamento e distribuição. Além de muito, muito desperdício.

É assustador saber que 33% dos alimentos produzidos no mundo vão para o lixo sem sequer terem sido consumidos, e que o Brasil está entre os dez países que mais desperdiça.

O Ceagesp em SP, por exemplo, joga no lixo diariamente 100 toneladas de frutas, legumes e verduras. Isso daria para alimentar 50.000 pessoas todos os dias.

Isso porque 85% das pessoas escolhe frutas, legumes e verduras pela aparência. Estamos acostumados a comprar o que é “bonito”. Poderíamos cortar as partes mais feias e batidas e usar o restante.

Sem contar que um dos fatores do desperdício de alimentos nas famílias brasileiras é cultural, gostamos de preparar e servir comida em abundância e temos dificuldades em reaproveitar as sobras, revela estudo em conjunto da EMBRAPA, FGV e Universidade de Corneli nos EUA. Cerca de 20% dos alimentos comprados por nós são desperdiçados. Dizer não ao desperdício significaria, inclusive, economia no orçamento.

Cozinhar utilizando todas as partes de um alimento é respeitar o planeta, honrar a natureza. A casca da manga, por exemplo, contém betacaroteno, antioxidante que diminui o risco de câncer e doenças cardiovasculares.

Se metade dos alimentos perdidos deixasse de ser, teríamos o dobro nas gôndulas, o preço cairia e mais pessoas teriam acesso.

Se aproveitássemos metade do que desperdiçamos, não haveria fome no mundo.

E foi durante o Food Forum e, em meio a todas essas estatísticas que o projeto Comida Invisível particularmente me tocou e “reforcei” ainda mais a implantação do conceito ‘desperdício zero’ em meus projetos, passando também a apresentar esse projeto aos meus clientes para possíveis parcerias, além de continuar sugerindo opções sustentáveis de processamento do lixo orgânico, reduzindo e, se possível, eliminando a destinação aos aterros.

Comer é um ato de sobrevivência e amor. Mas, hoje se encontra totalmente inserido nesse mundo do consumismo desenfreado e dos modismos em que vivemos.

Porém, o mundo está acordando para o fato que qualquer consumo em massa é negativo. E que precisamos repensar nossos hábitos, consumir menos e melhor e estarmos também mais informados. Precisamos também buscar mais transparência nos rótulos do que comemos, o que é, aliás, imprescindível para garantir a saúde e evitar a obesidade. Pois, as doenças que mais matam no mundo têm base na obesidade.

Convido todos a efetuarmos mudanças em nossos hábitos de comprar, cozinhar, e juntos provocarmos a transformação necessária.

 

Comida Invisível

site – https://comidainvisivel.com.br/

Food Forum

site – http://www.foodforum.co/0

 

 

Texto: Erlise Tancredi
Foto: Facebook Comida Invisível
* Erlise Tancredi é arquiteta associada à FCSI e sócia da Estillo Arquitetura.
Estillo Arquitetura – www.estilloarq.com.br

 

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