Diante do mercado que vem se apresentando nos dia de hoje, onde a disputa por espaço de mercado e share de clientes está cada vez mais acirrada, temos visto empreendedores investirem alto em ambientes cada vez mais sofisticados, equipamentos de ultima geração, insumos caríssimos. Entretanto, na hora de investir no seu maior bem, em vários momentos, ele é reticente, acaba pensando e ponderando se o investimento é necessário. E não falo de um móvel, sistema ou equipamento. Estou falando da equipe. O seu maior bem é a sua equipe. De nada adianta todo o seu investimento se você não pensar na qualificação de quem vai entregar o seu produto ao seu cliente.

Ouvi recentemente uma máxima ruim de um cliente: “vou gastar tudo isso em treinamento para depois o colaborador não dar valor e sair da empresa?”. Pois bem, será que mantê-lo sem o desenvolvimento e o treinamento adequado vale a pena? Com certeza não. Pois ele não entregará seu produto com a qualidade que você deseja, baixando sua qualidade e ajudando você a perder clientes.

Não é possível imaginar um atleta de alto rendimento que não treine até a exaustão para que seus movimentos estejam sincronizados e corretos, nos moldes necessários para que ele atinja a excelência dos movimentos.

¨Quanto mais eu treino, mais sorte tenho¨, disse Arnod Palmer. Arnod foi um dos maiores jogadores de golf de todos os tempos, e tinha um grande diferencial frente aos seus concorrentes. Ele era o primeiro a chegar para treinar e o último ao deixar o campo de treino.

E a minha pergunta a você é: quanto você tem dedicado do seu tempo e do seu esforço para treinar a sua equipe? Quantas horas por mês a sua equipe tem passado adquirindo conhecimento sobre o negócio e o mercado que ela está inserido? Você tem conseguido identificar as demandas de treinamento que a sua brigada mais tem tido necessidade? Onde tem sido o gargalo da sua operação? Essa é uma questão que precisa ser medida através de indicadores de desempenho, que facilitarão essa identificação. Trago dois exemplos. Primeiro no front, quanto seu ticket médio começar a cair, será que não é hora de um treinamento de técnica de vendas com os garçons? Olhando para o back, podemos citar os erros de conferência de caixa que trazem dificuldades para o administrativo.

Outra dica que podemos citar está na utilização de seus parceiros e fornecedores. Caso você tenha vinho no seu restaurante, de dois em dois meses, peça uma degustação dos vinhos da sua carta para que sua equipe conheça a fundo o produto. Isso também pode acontecer com as cervejas de estilos diferentes que você ofereça. Normalmente, as vendas desses produtos costumam subir após essas ações. Outra ação que você pode tomar está relacionada à degustação dos pratos que você oferece no cardápio. Solicite que sejam preparados 2 ou 3 por semana. Desta forma, sua equipe de garçons degusta e conhece o que estão vendendo, e você e o chef podem verificar se o padrão criado inicialmente está sendo seguido. Mais um momento de treinamento que pode ajudá-lo na redução de custos está na utilização dos produtos de limpeza. Em um dos nossos clientes, a pessoa responsável pela limpeza não utilizava o diluidor por entender que o produto, para ser eficiente, precisava criar espuma para limpar bem, e na verdade não era necessário. Ele estava apenas gastando mais do que o necessário.

Os exemplos acima são poucos perto dos que temos vistos, mas o fato é que, para que você tenha um empreendimento de alta performance, você precisa entender que a cultura de treinamento deve fazer parte do seu negócio e que, dentro do seu DRE e Budget, deve existir a linha de treinamentos para que a sua equipe esteja sempre qualificada e pronta para os desafios que o mercado apresenta diariamente.

 

Texto: Flávio Guersola
*Flávio Guersola é sócio da Guersola Consultoria & Assessoria em Empreendimentos Gastronômicos. Especialista em Gestão empresarial pela Fundação Escola de Comercio Alvares Penteado (FECAP), Formado em Hotelaria pela HOTEC. Com forte vivencia em empresas Multinacionais e independentes do ramo da Hospitalidade e 20 anos de experiência em empreendimentos gastronômicos, atua também como professor e palestrante, com experiência nas áreas de gerenciamento de alimentos e bebidas, planejamento de cardápio e gestão empreendedora.

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