O grupo Madero é uma operação que começou em 2005 e, com 12 anos de operação, chegou em 110 pontos de venda e um faturamento de R$ 510 milhões no final de 2017. Comandada por Júnior Durski, a rede se firma como a principal marca brasileira de casual dining.

O grupo lançou em 2017 a operação de fast casual Jeronimo, que conta hoje apenas com uma loja, portanto, 109 lojas são da primeira marca do grupo. O grupo, porém, anuncia 3 novos diferentes negócios, dois deles sem o hambúrguer como protagonista. Mas o projeto “new burguer”, que ainda não tem marca definida, surpreende por colocar a empresa no segmento de fast food.

Desafiando McDonald’s e Burger King

No anúncio da terceira marca no segmento de hamburguerias, o grupo Madero define que pretende lançar um cheseburguer por R$ 9,80 e um combo com refrigerante e fritas por R$ 21. Estas são lojas pensadas para praças de alimentação. A primeira loja da marca deverá ser inaugurada em  abril no Shopping Estação de Curitiba.

Entrando num segmento de alto giro e no formato de auto serviço, o grupo Madero abre chance para ampliar sua expansão com uma loja mais barata e custos de operação mais baixos. A grande questão é que seus principais concorrentes nas praças oferecem cheseburgueres na faixa de R$ 6,5.

No papel, essa segmentação das 3 marcas propõe uma interessante arquitetura de marca, com 3 marcas independentes, mas isto pode significar a concorrência dos três negócios num mesmo shopping, pois Madero e Jerônimo também têm lojas em shoppings centers.

Loja de rua do Madero

A segmentação das marcas

O grande diferencial está na composição de preços. Jerônimo nasceu com uma proposta fast casual, com atendimento simplificado e com preços em média 45% mais baixos que o irmão mais velho Madero. Quando pensamos em cheseburguer, a diferença não é tão elevada: enquanto no Madero ele é vendido por R$ 25, no Jeronimo o valor de venda é de R$ 19. Além do preço, os produtos se diferenciam no preparo e na gramatura da carne: no Madero o disco de carne é de 180 gramas feito em churrasqueira, e no Jerononimo o hambúrguer é de 130 gramas e é preparado em chapa de carbono.

No novo projeto é possível que o hambúrguer seja de 100 gramas, para ter proximidade com os concorrentes da praça, mas a diferença no preço final é muito elevada. Por mais que se trabalhe com fornecedores e com custos menores, estamos falando de margens mais apertadas.  A rede já divulga hoje que, enquanto o tíquete médio no Madero é R$ 52, no Jeronimo é de R$ 29. O grande ganho estará na redução da área das lojas, impacto direto no aluguel e o potencial de ampliar o público atendido.

As dores da forte expansão

O Grupo Madero passou 2017 à procura de um sócio minoritário. A venda de uma pequena fatia de participação entre 14% e 17% tinha como objetivo capitalizar o negócio. O Grupo precisava saldar dívidas, mas principalmente levantar fundos para manter o forte ritmo de expansões. No final de 2017, a companhia desistiu da operação, apesar de notícias apontarem que  o grupo I.Catterton tinha oferecido R$ 250 milhões por uma fatia da empresa.

A oferta do grupo I.Catterton projeta um valuation entre R$ 1,92 bilhões e R$ 1,47 bilhões mas, em entrevistas, executivos da empresa apontam que o BR Partners teria avaliado o grupo em R$ 3 bilhões. Há que se considerar detalhes da operação e do endividamento para o apurar o número. Mas a expansão da marca é, sem dúvida, um fenômeno. Um ranking da Deloitte em parceira com a revista Exame colocou o restaurante Madero em 14º lugar entre as PME (Pequenas e médias empresas) que mais crescem no Brasil entre 2013 e 2015, quando a companhia teve uma média de crescimento de 55%.

Fábrica do grupo com potencial para atender até 200 lojas

Potencial de crescimento

O grupo Madero sempre planejou chegar ao final de 2018 com 200 restaurantes. Sua fábrica em Ponta Grossa (PR) está projetada para suprir essa demanda, mas o custo da expansão se demonstrou um problema. Com lojas que custam entre 1,5  a 4 milhões de reais, é preciso manter um fluxo de caixa muito elevado para suportar os investimentos.

Em 2017, a meta da empresa era inaugurar 40 lojas e, ao final do ano, chegaram bem perto com 36 novos pontos de venda. É sempre bom lembrar que essa expansão significa 3 inaugurações mensais, algo que demanda estrutura, organização e forte controle financeiro. Porém, a grande questão passa a ser o capital para investimento nas novas lojas.

Sem a entrada de um sócio minoritário, a saída foi renegociar a dívida e emitir debêntures no valor de R$ 380 milhões de reais.  Esses papéis têm o prazo de vendimento de cinco anos e carência de 2 anos.  Entre as garantias estão, por exemplo, 51% das ações da empresa. O controle da companhia está pouco fragmentado com Durski sendo responsável por 91% das ações, o empresário Luciano Hulk detém 0,6% e o restante está com funcionários.

Potencial da rede ao final de 2018

Os recursos captados pela empresa por meio da distribuição de debêntures podem ter diferentes usos, mas em matérias divulgadas os gestores falam em investimentos em novas instalações, alongamento do perfil das dívidas, financiamento de capital de giro, etc. Matéria do jornal Valor Econômico aponta que pelo menos R$ 200 milhões serão usados em dívidas com antigos títulos. O grupo também planeja investimentos em sua fábrica.

Além do projeto “new burguer“, já estão planejados os lançamentos de Vó Maria, com receitas alemãs, e o Choripan, que venderá o sanduíche argentino por R$ 12. As matérias não apontam volume de lojas dessas 3 redes, mas para o Madero são previstos 29 novos restaurantes, e a marca Jerônimo deve ganhar mais 12 pontos de venda. Hoje a segunda marca está com uma loja e tem 4 pontos em processo final de inauguração.

Estimando que o grupo abra uma loja para cada uma das novas marcas e mantenha o plano de lançamentos das duas outras marcas, seriam 44 novas lojas ao final de 2018. Com 154 pontos de venda, projeta-se um crescimento maior que 2017. Mas em função dos diferentes momentos de abertura de lojas, projetamos um faturamento de R$ 622 milhões para todas as operações do grupo, um crescimento no ano de 22%  superior ao crescimento de 2017.

Investimento em comunicação

Um grande diferencial do Madero em 2017 foi o início de maiores ações de comunicação. Isso o diferenciou das principais marcas de hamburguerias que foram lançadas, uma necessidade para uma marca que chegou em 109 restaurantes e que está presente em diferentes estados do país.

O grupo contou com o apoio da Trip, que realizou uma imersão de três meses com pesquisas em profundidade e entrevistas  que geraram o códio genético da marca e da história da rede. Os resultados deste trabalho podem ser vistos em filmes e anúncios impressos que ampliam o conhecimento e trabalham numa maior compreensão da marca.

Neste trabalho ficaram determinados os pilares da marca Madero:

  • Preocupação cada vez maior com o bom uso do tempo e com a qualidade de vida;
  • Definição objetiva daquilo que a marca entende como alimentação saudável;
  • Estabelecimento de vínculos fortes com produtores locais de alimentos;
  • Respeito à tradição e aos valores brasileiros;
  • Valorização da formação, da evolução e do respeito aos funcionários e sócios;
  •  Capacidade de Durski de antecipar algumas tendências globais de gestão e de vida para o cenário do Brasil.

Números do grupo:

2015

Fauramento Bruto de R$ 334,5 milhões

Total de 63 lojas

Faturamento médio por loja de R$ 5,4 milhões

2016

Faturamento Bruto R$ 446 milhões

crescimento de 29% em relação ao ano anterior

Total de 84 lojas

Faturamento médio por loja de R$ 5,3 milhões

2017

Faturamento Bruto R$ 510 milhões

crescimento de 14,34% em relação ao ano anterior

Total de 110 lojas

Faturamento por loja – R$ 4,6 milhões

Projeção Infood para 2018

Faturamento Bruto R$ 622 milhões

crescimento de 22% em relação ao ano anterior

Total de 154 lojas

Faturamento por loja – R$ 4 milhões

 

Grupo Madero:

Madero
https://www.restaurantemadero.com.br/pt
https://www.facebook.com/maderobrasil/
Jeronimo Burger
http://jeronimoburger.com.br/home
https://www.facebook.com/jeronimoburger/

 

Novidades

Haz abre no Baixo Gávea

O jornal O Globo destacou que a chef Katia Hannequim tem agora endereço fixo para servir seu famoso falável crocante. O Haz acaba de abrir e tem um menu completo de comidinhas do oriente médio.

Praça Santos Dumont 126 loja A – Baixo Gávea – Rio de Janeiro

facebook – https://www.facebook.com/Haz-Restaurante-360084044464252/

Notícias

Sapore propõe fusão com IMC, dona da rede Frango Assado

O jornal Valor Econômico deu mais detalhes da proposta da Sapore para o gurpo IMC. A empresa, que é a terceira maior companhia de refeições coletivas do país, apresentou oficialmente uma oferta para combinação de seus negócios com a IMC, donas das marcas Viena e Frango Assado. A operação tem sinergias avaliadas em R$ 130 milhões e prevê o pagamento de dividendos extraordinários de R$ 355,3 milhões aos acionistas da IMC. O valor ficou um pouco acima dos R$ 350 milhões que, segundo fontes do mercado, foram previstos inicialmente.

Para continuar lendo a matéria se cadastre no site do jornal:

http://www.valor.com.br/empresas/5322589/sapore-propoe-fusao-com-imc-dona-da-rede-frango-assado

Doce Millenials

O jornal o Estado de São Paulo em seu caderno Paladar apresetna o trabalho de seis jovens confeiteiros: Nathalia Million do Piccolo, Pedro Renofio do Evvai, Alex Miyaki do Balaio, Vanessa Fujihara do Ryo, Rodrigo Ribeiro do Peti e Carolina Iwai Casa Amma. Com variação de texturas e sabores em pratos decorados como se fossem jardins, confeiteiros da nova geração fazem da sobremesa um dos pontos altos da refeição em casas em São Paulo.

Para continuar lendo acesse o site do jornal:

http://paladar.estadao.com.br/noticias/comida,doce-millenials-conheca-a-nova-geracao-de-confeiteiros-de-sao-paulo,70002189468

Reginaldo Andrade

randrade@infood.com.br

A coluna Restaurant Man traz as principais notícias da semana 07  (12/02 a 18/02 de 2018), um resumo do que foi noticiado nos principais jornais e revistas e do que foi apurado por nossa equipe.

 

 

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