O que é neuroarquitetura? Você ouviu falar ou tem alguma ideia do que isso significa?

Neuroarquitetura é um tema relacionado com a neurociência, que estuda estímulos cerebrais gerados a partir de substâncias químicas ou ritmo cardíaco, influenciados por uma emoção e mudanças comportamentais produzidas em um determinado ambiente.

Essas mudanças comportamentais, e até a saúde, podem ser alteradas pelo impacto do ambiente e espaço em que se convive: luz, cor, formas, conforto acústico, conforto térmico, movimentos e texturas. Essa alteração comportamental é apenas 5% consciente. Os outros 95% são inconscientes.

A neuroarquitetura já consegue quantificar cientificamente os efeitos fortes causados entre espaços construídos e o cérebro humano, trazendo experiências, sentimentos, mudanças de humor, bons ou maus sentimentos em um determinado ambiente.

A neuroarquitetura é algo cognitivo, quase que matematicamente contabilizado. Já a utilização da estética é usada apenas para o belo, para intensificação do belo e do uso da arte e da história.

Para escrever essa matéria, conversei com a Natalia Ferian. Ela foi minha aluna na EGG (Escola de Gestão em Negócios da Gastronomia), é arquiteta, fundadora da NeoParklet e NeoGourmet e estuda o tema com referências da Anfa (Academy of Neuroscience for Architecture )

Segundo a Natalia, neuroarquitetura é a junção do estudo da neurociência com a arquitetura, demonstrando evidências do impacto do espaço físico no cérebro humano, por meio de explicações biológicas e racionais, explicando como se dá o comportamento humano em determinado local.

Como e quando surgiu a neurociência?

Natalia FerianO cérebro sempre foi alvo de curiosidade e estudo pelos homens. Os estudos mais profundos do sistema nervoso surgiram na época do Iluminismo, séc. XVIII. Mas foi devido ao avanço da tecnologia de ferramentas, como Raio X e a tomografia computadorizada, que progrediram os estudos e pesquisas da área e, oficialmente, inauguraram o termo Neurociência, em meados de 1970.

Como e quando surgiu a neuroarquitetura?

Natalia FerianA neuroarquitetura vem sendo estudado há mais de 15 anos e chegou ao Brasil há pouco tempo. Um ponto forte na história da neuroarquitetura foi a fundação da ANFA (Academy of Neuroscience for Architecture) em 2003.

Onde a neuroarquitetura se aplica?

Natalia Ferian – Utilizando a neurociência como base, o arquiteto pode modificar a vida das pessoas e ajudar em seus desenvolvimentos. Na neuroarquitetura, podemos projetar e construir ambientes muito mais funcionais, estratégicos, que impactam a forma de como as pessoas se sentem.

Aplica-se a neurociência em:

  • Design urbano: as neurocitiessão arquiteturas das cidades que podem influenciar os usuários com ruas, ansiedade, nível de stress e na felicidade, chamadas de happy city.
  • Escritórios: onde os colaboradores possam criar, desenvolver, produzir, evoluir, concentrar e focar. O espaço precisa ser funcional, ter conforto, ser agradável e eficiente.
  • Escolas que estimulem o aprendizado, rendimento, concentração e criatividade.
  • Clínicas e hospitais que estimulem a recuperação e bem estar, não só dos pacientes, mas de seus acompanhantes também. Estudos demonstram que a qualidade da luz altera muito o nível de cansaço, depressão e desorientação. Além da qualidade da luz, o tipo de luz exerce influencia (luz azul, vermelha e branca).
  • Lojas e varejo: desejo de comprar mais.

Esses são temas já bastante discutidos.

Em escolas, o tema é chamado de neuroeducação, e estuda espaços onde as escolas podem ser construídas em contato com o meio ambiente, montanhas, árvores que possam estimular o processo cognitivo, aprender e a memorização de acordo com o que o cérebro humano possa ser potencializado. As crianças têm formas diferentes de aprender. Então, nesse sentido, o conteúdo e o mobiliário devem facilitar o processo.

Em lojas de varejo, existe o marketing olfativo ou neuromarketing. São utilizados aromas específicos que identificam a marca. Causa uma experiência sensorial e estimula o olfato dos consumidores. Às vezes, de maneira inconsciente. As memórias relacionadas ao aroma são diretamente ligadas ao sistema nervoso central.

Acreditamos agora que devemos utilizar isso em restaurantes! Esse estudo deve melhorar a qualidade, convivência, permanência, sentidos e o conforto do cliente, trazendo a experiência e o desejo de retornar.

Podemos usar a neuroarquitetura em restaurantes?

Natalia FerianSim, de forma a proporcionar ao cliente as sensações adequadas, permanecer por maior tempo no local e consumir mais, sentir-se bem no espaço e relaxar, trazendo assim resultados positivos para seu estabelecimento e uma conexão maior com o seu público.

Como utilizar a neuroarquitetura em restaurantes?

Natalia FerianA neuroarquitetura aplicada em restaurantes pode se dar de diversas formas para criação de ambientes com estratégias baseadas em evidencias neurocientíficas. Qual é a experiência que você quer proporcionar ao seu cliente?

O restaurante tem que ter seu conceito muito bem definido para que a experiência desejada ao cliente seja atingida. Isso se dá pelos mínimos detalhes como: fachada do local, recepção, salão, iluminação, arquitetura, cardápio, atendimento…

A começar pelas cores e o impacto sensorial das mesmas no ambiente. Pensar muito bem em todos os espaços para que os movimentos projetados ocorram da maneira assertiva.Pensar no aroma e os estímulos sensoriais que eles podem trazer, desde a entrada do cliente até a sua saída do estabelecimento.

O tipo de som que o restaurante vai emanar durante a permanência do cliente também é essencial para estimular os sentidos do usuário.O tipo de iluminação e a temperatura do restaurante fazem com que o cliente se sinta de uma certa maneira.

Todos esses itens combinados de forma assertiva influenciam, inclusive, na opinião do cliente em relação à qualidade da comida, pois sua experiência em relação ao ambiente pode ter sido boa ou ruim, impactando na sua percepção de cada alimento ingerido.

Outro ponto de vista é o do próprio funcionário que, trabalhando num local em que a neuroarquitetura foi aplicada, será muito mais produtivo e criará mais vínculos com o local de trabalho.

Aplicar recursos em neuroarquitetura é investir em pessoas para garantir qualidade de convivência e produtividade nas tarefas a serem executadas naquele espaço.

Texto Ivim Pelloso
*Ivim Pelloso atua há 15 anos no setor de Consultoria e Projetos de Cozinhas Industriais e Restaurantes. Tem formação acadêmica em Nutrição e Arquitetura. É sócia, diretora de Novos Negócios na FSone. Atua com conteúdo no foodservice, desenvolvendo matérias para revistas do setor: blogs, palestras, cursos, feiras, videos. Apresenta o programa Papo com Tempero na Alltv, é colunista na Infood, professora na EGG (Escola de Negócios e Gestão da Gastronomia) e fundadora da startup KITCHAIN.
www.fs-one.com.br
https://www.facebook.com/fsonebusinessintelligence/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade
Publicidade

Para receber a newsletter Infood, digite seu e-mail no box abaixo e clique na seta.

© 2019 Infood - Todos os direitos reservados